O Videoclipe e a MTV

/
1 Comments

Bom, impossível falar da história do videoclipe e sua evolução sem mencionar sua maior incentivadora, a MTV - Music Television.
Tá certo que o videoclipe não foi criado graças à MTV, mas foi ela quem viu o potencial nesse produto e levou-a para as casas de milhões e milhões de pessoas.

Atualmente, a MTV reduziu drasticamente a quantidade de videoclipes exibidos na grade, e extinguiu os programas que falam de música. Fato é que, atualmente, a MTV não é um canal musical que também fala com os jovens, mas um canal jovem que tenta falar com a galera musical. Essa mudança é visivel até mesmo no logo da emissora, que, a cada troca de rebrand, cortam um pedacinho do M, literalmente. Toda essa mudança, ocorreu graças a uma má fase que a MTV passou pelos anos de 2005 à 2008 (não a Brasileira, mas o canal como um todo) graças à vinda massiva da internet que teria se tornado a "nova casa dos clipes". A maneira encontrada de continuar gerando dinheiro, foi no investimento de programas não-musicais, como as séries, os reality's de namoro, reality's de gravidez precoce e o mais recente, reality de namoro virtual. Fato é que, nos Estados Unidos, a mudança não recebeu tanta negatividade quanto o resto do mundo (mas não deixou de virar piada nas mãos de comediantes como Chelsea Handler no VMA 2012, premiação da própria emissora), restando à Viacom, criar outros canais voltados apenas ao videoclipe. Criados então as Sisters Channels, a MTV Base (voltada à música black e hip-hop), a MTV Rocks (ao rock, metal, rock alternativo e indie), MTV Classic (aos clipes clássicos), MTV Hits (recentes e mais tocadas das rádios), MTV Music (mistura de clipes com shows produzidos pela MTV) e a MTV Live HD (semelhante à MTV Music, mas em alta definição). Mas, não seria criado assim, novos problemas? Bom, vamos a notícia e já explicamos nossa pergunta.

A Carat, empresa americana, realizou uma nova pesquisa sobre a geração Millennial (ou Geração Y), composta de pessoas de 15 à 34 anos, nascidos junto ao avanço tecnológico e, principalmente, da internet, geração à qual a MTV baseia sua programação atualmente. Uma geração que, de acordo antigas pesquisas, televisivamente falando, buscam muito mais conteúdo na internet que na TV, ou que se mantem conectados aos dois ao mesmo tempo. Mas a nova pesquisa da Carat surpreendeu ao divulgar o novo resultado em que, na verdade, é uma geração que não é tão ligada à internet quanto foi dito anteriormente, ou como disse a antiga pesquisa, "hiper-conectados, otimistas, digitais e extrovertidos". Falando de números, 42% dos Millennials, por volta de 36 milhões de pessoas, correspondem a este esteriótipo de super-conectados. Por outro lado, 49 milhões, não!
(confira a matéria sobre o assunto no Meio e Mensagem)

Então, voltemos à música. A criação de tantos canais só de videoclipes não seria na verdade, a criação de mais problemas? Sim. Primeiro que, a maioria desses canais só são distribuídos na Europa e em alguns outros países (nem sempre todos os canais, apenas um ou outro). Segundo que, a MTV perde a fama de formadora de opinião, e passa a ser uma distribuidora de conteúdo online, por assim dizer, pois sim, ela despeja um monte de clipes na sua cara, e pronto.
Só que, como dito, a MTV não era só um canal de videoclipes, era um canal que moldava seus ouvidos, ela te dizia: "Olha isso, é bom pra cacete!" ou "Legal sua Katy Perry, mas já ouviu 'Like a Virgin'?". Ela se preocupava em mostrar as estruturas da música e os rumos da mesma com os clássicos e novidades ainda a serem descobertas pela massa. Venhamos para o Brasil. Já pensou do que seria da Pitty ou do Marcelo D2 se não fosse a MTV? Imaginemos então que, Pitty é uma total desconhecida e que acabou de lançar um single no Youtube. Quanto tempo demoraria até alguém ouvir seu trabalho, ele tomar alguma forma e quem sabe, só assim, pudesse cair nos ouvidos de algum estagiário de alguma SBT ou Rede Globo da vida, que tentaria, eu disse, tentaria, apresentar ao público de alguma forma. Parece loucura, mas em meio a tanta gente tentando fazer música e fama na internet hoje em dia... Pensando assim, já não parece tão absurdo mais, não é?!

Esse era a maior arte da MTV, ou como diria o diretor de programação da versão Tupiniquin do canal, Zico Goes, o grande "Expertise". Ela era quem filtrava tudo que é jogado no mundo musical e levava ao público o que valia a pena.

Com o fim dessa fase de professora, quem ocupou esse cargo? Fora do Brasil, não sei, mas aqui com certeza não foi a MixTV, que assim como o Multishow exibe só o que vai pras rádios americanas. A PlayTV? Acho que não, apesar de uma tentativa fracassada em impulsionar no Brasil o K-Pop. A internet ainda não é a TV, e assim como a rádio, a TV não vai morrer. E se o videoclipe já não vende mais como antigamente na TV, porque nossos hermanos comemoraram tanto essa semana com a notícia de que a MTV LA (versão latina) passará a exibir novamente videoclipes na faixa vespertina? Confira você mesmo no Facebook do canal (aqui).

Mas aí você diz: "Só que a MTV Brasil, a que tocava música não faliu?" Sim. Mas não por culpa da música nem dos funcionários do canal. A única culpada foi a Abril que achou que conseguiria bancar um canal cujo a marca pertencia à outra empresa, a obrigando a pagar um valor altíssimo à sua dona e ao satélite pra manter o sinal como canal aberto. Fora que, a MTV, sendo um canal segmentado (de apenas um tipo de conteúdo, no caso, musical) não sobreviveria num mundo onde os canais abertos exibem de tudo um pouco em busca de audiência sangrenta, passando por cima da qualidade.

O filtro faz falta, a MTV em sua forma mais musical e menos "Millennial (?)" faz falta, e por mais que outros canais musicais sejam criados, nenhum consegue ter uma imagem tão forte quanto a MTV. Já passou da hora de repensar sua grade globalmente. E a gente continua na torcida pelo "retorno da MTV" como conhecíamos, assim como um dia torcemos juntos pela volta da sanidade mental da Britney Spears. Não é engraçado como a MTV consegue ser mais Catfish consigo que com o reality que a própria produz?









You may also like

Um comentário:

Tecnologia do Blogger.